O QUE É A INDULGÊNCIA? — AS PENAS DO PECADO
Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, deve ter-se presente que o pecadotem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, portanto, torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama «pena eterna» do pecado. Por outro lado, todo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual precisa de ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama Purgatório. Esta purificação liberta do que se chama «pena temporal» do pecado. Estas duas penas não devem ser consideradas como uma espécie de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria natureza do pecado. Uma conversão procedente duma caridade fervorosa pode chegar à total purificação do pecador, de modo que nenhuma pena subsista (82).
Ad hanc doctrinam et hanc praxim Ecclesiae intelligendas, oportet perspicere peccatum duplicem consequentiam habere. Peccatum grave nos communione privat cum Deo, et ideo nos incapaces reddit vitae aeternae, cuius privatio « poena aeterna » peccati appellatur. Ex alia parte, quodlibet peccatum, etiam veniale, morbidam ad creaturas secumfert affectionem, quae purificatione eget sive his in terris sive post mortem, in statu qui appellatur purgatorium. Haec purificatio liberat ab eo quod « poena temporalis » peccati appellatur. Hae duae poenae concipi non debent quasi vindicta quaedam a Deo ab extrinseco inflicta, sed potius quasi ex ipsa peccati natura profluentes. Conversio ex ferventi procedens caritate potest usque ad totalem peccatoris purificationem pervenire ita ut nulla poena subsistat.82