§ 239
Ao designar Deus com o nome de «Pai», a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é a origem primeira de tudo e a autoridade transcendente, e, ao mesmo tempo, que é bondade e solicitude amorosa para com todos os seus filhos. Esta ternura paternal de Deus também pode ser expressa pela imagem da maternidade (41), que indica melhor a imanência de Deus, a intimidade entre Deus e a sua criatura A linguagem da fé vai, assim, alimentar-se na experiência humana dos progenitores, que são, de certo modo, os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência diz também que os progenitores humanos são falíveis e podem desfigurar a face da paternidade e da maternidade. Convém, então, lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Não é homem nem mulher: é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas (42), sem deixar de ser de ambas a origem e a medida (43): ninguém é pai como Deus.
Sermo fidei, Deum nomine « Patris » nuncupans, duas rationes praecipue indicat: Deum primam omnium esse originem et auctoritatem transcendentem Illumque simul esse bonitatem et sollicitudinem omnes Suos filios diligentem. Haec paterna Dei teneritudo etiam per imaginem maternitatis exprimi potest,57 quae Dei immanentiam atque intimitatem inter Deum et Eius creaturam magis indicat. Ita sermo fidei in experientia humana haurit parentum, qui quodammodo pro homine primi sunt Dei repraesentantes. Haec tamen experientia etiam ostendit, parentes humanos fallibiles esse illosque vultum paternitatis et maternitatis deformare posse. Recordari igitur oportet, Deum humanam sexuum transcendere distinctionem. Ille nec vir est nec femina, Ille est Deus. Paternitatem etiam et maternitatem transcendit humanas,58 licet earum sit origo atque mensura:59 nemo pater est, sicut Deus est Pater.