I. «Ousar aproximar-se com toda a confiança»
Na liturgia romana, a assembleia eucarística é convidada a orar ao nosso Pai com ousadia filial. As liturgias orientais utilizam e desenvolvem expressões análogas: «Ousar com toda a segurança», «tomai-nos dignos de». Diante da sarça ardente foi dito a Moisés: «Não te aproximes. Descalça as sandálias» (Ex 3, 5). Este umbral da santidade divina, só Jesus o podia franquear, Ele que, «tendo realizado a purificação dos pecados» (Heb 1, 3), nos introduz perante a face do Pai: «Eis-me, a mim e aos filhos que Deus Me deu!» (Heb 2, 13): «A consciência que temos da nossa situação de escravos far-nos-ia sumir sob o chão, a nossa condição terrena dissolver-se-ia em pó, se a autoridade do próprio Pai e o Espírito do Seu Filho não nos levasse a soltar este grito dizendo: "Deus mandou o Espírito do Seu Filho aos nossos corações clamando Abba, ó Pai!" (Rm 8, 15) [...]. Quando é que a fraqueza dum mortal se atreveria a chamar a Deus seu Pai, senão somente quando o íntimo do homem é animado pelo poder do alto?» (21).
In Romana liturgia, congregatio eucharistica invitatur ad orandum « Pater noster » cum audacia filiali; liturgiae orientales similibus utuntur expressionibus easque evolvunt: « Audere cum omni securitate », « Fac nos dignos ad ». Ante rubum ardentem dictum est Moysi: « Ne appropies [...] huc; solve calceamentum de pedibus tuis » (Ex 3,5). Solus Iesus sanctitatis divinae poterat transire limen, Ille qui « purgatione peccatorum facta » (Heb 1,3), nos ante vultum Patris introducit: « Ecce ego et pueri, quos mihi dedit Deus » (Heb 2,13): « Subcumberet conscientia servilis, terrena condicio solveretur, nisi nos ad hunc clamorem Ipsius Patris auctoritas, Ipsius Filii Spiritus excitaret. Misit, ait, Deus Spiritum Filii Sui in corda nostra clamantem Abba, Pater! (Rom 8,15). [...] Quando ausa mortalitas Deum vocare Patrem, nisi modo, quando superna virtute hominis animantur interna? ». 244