§ 2847
O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior (134) em vista duma virtude «comprovada» (135) e a tentação que conduz ao pecado e à morte (136). Devemos também distinguir entre «ser tentado» e «consentir» na tentação. Finalmente, o discernimento desmascara a mentira da tentação: aparentemente, o seu objecto é «bom, agradável à vista, desejável» (Gn 3, 6), quando, na realidade, o seu fruto é a morte. «Deus não quer impor o bem, quer seres livres [...]. Para alguma coisa serve a tentação. Ninguém, senão Deus, sabe o que a nossa alma recebeu de Deus, nem nós próprios. Mas a tentação manifesta-o para nos ensinar a conhecermo-nos e desse modo descobrir a nossa miséria e obrigar-nos a dar graças pelos bens que a tentação nos manifestou» (137).
Spiritus Sanctus efficit ut discernamus inter probationem, ad interioris hominis progressum necessariam, 357 quaeque « virtutem probatam » intendit, 358 et tentationem quae ad peccatum ducit et mortem. 359 Etiam discernere debemus inter « tentari » et tentationi « consentire ». Discretio denique mendacium aperit tentationis: specie, eius obiectum est « bonum [...], pulchrum oculis et desiderabile » (Gn 3,6), dum revera eius fructus mors est. « Neque enim cuiquam Deus bonum vult quasi necessitate fieri, sed voluntate [...]. Porro haec tentationis est utilitas. Quae in anima nostra recepta omnes praeter Deum latent, nosque etiam ipsos, ea per tentationes manifesta fiunt, ne nos amplius lateat quales simus, sed qui simus cognoscentes, sentiamus si velimus propria mala, et agamus etiam gratias pro bonis quae nobis per tentationes ostensa sunt ». 360