§ 633
A morada dos mortos, a que Cristo morto desceu, é chamada pela Escritura os infernos, Sheol ou Hades (531), porque aqueles que aí se encontravam estavam privados da visão de Deus (532). Tal era o caso de todos os mortos, maus ou justos, enquanto esperavam o Redentor (533), o que não quer dizer que a sua sorte fosse idêntica, como Jesus mostra na parábola do pobre Lázaro, recebido no «seio de Abraão» (534). «Foram precisamente essas almas santas, que esperavam o seu libertador no seio de Abraão, que Jesus Cristo libertou quando desceu à mansão dos mortos» (535). Jesus não desceu à mansão dos mortos para de lá libertar os condenados (536), nem para abolir o inferno da condenação (537), mas para libertar os justos que O tinham precedido (538).
Scriptura mansionem mortuorum in quam Christus mortuus descendit, inferos appellat, Sheol vel Αιδην 533 quia illi qui ibi inveniuntur, visione privantur Dei. 534 Talis est revera, Redemptorem exspectando, casus omnium mortuorum, impiorum vel iustorum, 535 id quod non significat eorum sortem esse eamdem, sicut Iesus ostendit in parabola pauperis Lazari recepti « in sinum Abrahae ». 536 « Horum igitur piorum animas qui in sinu Abrahae Salvatorem exspectabant, Christus Dominus ad inferos descendens liberavit ». 537 Iesus ad inferos non descendit ut damnatos liberaret 538 neque ut damnationis destrueret infernum, 539 sed ut iustos liberaret qui Illum praecesserant. 540