A RESSURREIÇÃO COMO ACONTECIMENTO TRANSCENDENTE
«Oh noite bendita! – canta o «Exultet» pascal – única a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro» (573). Com efeito, ninguém foi testemunha ocular do acontecimento da ressurreição propriamente dita e nenhum evangelista o descreve. Ninguém pôde dizer como ela se deu, fisicamente. Ainda menos a sua essência mais íntima, a passagem a uma outra vida, foi perceptível aos sentidos. Acontecimento histórico comprovado pelo sinal do túmulo vazio e pela realidade dos encontros dos Apóstolos com Cristo Ressuscitado, nem por isso a ressurreição deixa de estar, naquilo em que transcende e ultrapassa a história, no próprio centro do mistério da fé. Foi por isso que Cristo Ressuscitado não Se manifestou ao mundo (574), mas aos discípulos, «aos que com Ele tinham subido da Galileia a Jerusalém» e que «são agora testemunhas de Jesus junto do povo» (Act 13, 31).
« O vere beata nox — canit hymnus « Exsultet » Paschatis —, quae sola meruit scire tempus et horam in qua Christus ab inferis resurrexit ». 575 Revera, ipsius eventus Resurrectionis nemo fuit testis oculatus et nullus Evangelista illum describit. Nemo dicere potuit quomodo illa physice locum habuit. Eius essentia maxime intima, transitus ad aliam vitam, adhuc minus sensibus fuit perceptibilis. Resurrectio, eventus historicus qui per sepulcri vacui signum et per realitatem occursuum Apostolorum cum Christo resuscitato potest comperiri, non minus in eo quod historiam transcendit et superat, in corde mysterii permanet fidei. Hac de causa, Christus resuscitatus Se mundo non manifestat, 576 sed discipulis Suis, « his, qui simul ascenderant cum Eo de Galilaea in Ierusalem, qui nunc sunt testes Eius ad populum » (Act 13,31). II. Resurrectio – Sanctissimae Trinitatis opus