A SATISFAÇÃO
Muitos pecados prejudicam o próximo. Há que fazer o possível por reparar esse dano (por exemplo: restituir as coisas roubadas, restabelecer a boa reputação daquele que foi caluniado, indemnizar por ferimentos). A simples justiça o exige. Mas, além disso, o pecado fere e enfraquece o próprio pecador, assim como as suas relações com Deus e com o próximo. A absolvição tira o pecado, mas não remedeia todas as desordens causadas pelo pecado (57). Aliviado do pecado, o pecador deve ainda recuperar a perfeita saúde espiritual. Ele deve, pois, fazer mais alguma coisa para reparar os seus pecados: «satisfazer» de modo apropriado ou «expiar» os seus pecados. A esta satisfação também se chama «penitência».
Multa peccata malum inferunt proximo. Oportet facere quidquid possibile est, ad id reparandum (exempli gratia, res restituere furto sublatas, famam restabilire illius quem sumus calumniati, compensare vulnera). Mera iustitia hoc exigit. Sed ulterius peccatum peccatorem ipsum vulnerat et debilitat, sicut etiam eius relationes cum Deo et cum proximo. Absolutio peccatum tollit, sed omnibus inordinationibus a peccato causatis remedium non affert.57 A peccato liberatus, peccator debet adhuc plenam salutem spiritualem recuperare. Debet igitur aliquid amplius facere ad sua peccata reparanda: debet « satisfacere » modo convenienti vel peccata sua « expiare ». Haec satisfactio vocatur etiam « poenitentia ».