TODOS OS PECADORES FORAM AUTORES DA PAIXÃO DE CRISTO
A Igreja, no magistério da sua fé e no testemunho dos seus santos, nunca esqueceu que «os pecadores é que foram os autores, e como que os instrumentos, de todos os sofrimentos que o divino Redentor suportou» (436). Partindo do princípio de que os nossos pecados atingem Cristo em pessoa (437), a Igreja não hesita em imputar aos cristãos a mais grave responsabilidade no suplício de Jesus, responsabilidade que eles muitas vezes imputaram unicamente aos judeus: «Devemos ter como culpados deste horrível crime os que continuam a recair nos seus pecados. Porque foram os nossos crimes que fizeram nosso Senhor Jesus Cristo suportar o suplício da cruz, é evidente que aqueles que mergulham na desordem e no mal crucificam de novo em seu coração, tanto quanto deles depende, o Filho de Deus, pelos seus pecados, expondo-O à ignomínia. E temos de reconhecer: o nosso crime, neste caso, é maior que o dos judeus. Porque eles, como afirma o Apóstolo, «se tivessem conhecido a Sabedoria de Deus, não leriam crucificado o Senhor da glória» (1 Cor 2, 8); ao passo que nós, pelo contrário, fazemos profissão de O conhecer: e, quando O renegamos pelos nossos actos, de certo modo levantamos contra Ele as nossas mãos assassinas» (438). «Não foram os demónios que O pregaram na cruz, mas tu com eles O crucificaste, e ainda agora O crucificas quando te deleitas nos vícios e pecados» (439). «JESUS ENTREGUE, SEGUNDO O DESÍGNIO DETERMINADO DE DEUS»
Ecclesia in fidei suae Magisterio et in testimonio sanctorum suorum nunquam huiusmodi est oblita veritatis: « poenarum omnium quas [Christus] pertulit, peccatores et auctores et ministri fuerunt ». 438 Ratione habita de eo quod nostra peccata Christum Ipsum attingunt, 439 Ecclesia christianis maximam responsabilitatem non dubitat imputare in Iesu supplicio, qua responsabilitate ipsi nimis frequenter solos gravaverunt Iudaeos: « Hac culpa omnes teneri iudicandum est qui in peccata saepius prolabuntur. Nam, cum peccata nostra Christum Dominum impulerint ut crucis supplicium subiret, profecto qui in flagitiis et sceleribus volutantur, rursus, quod in ipsis est, crucifigunt in semetipsis Filium Dei, et ostentui habent. Quod quidem scelus eo gravius in nobis videri potest, quam fuerit in Iudaeis, quod illi, eodem Apostolo teste, si cognovissent, numquam Dominum gloriae crucifixissent (1 Cor 2,8); nos autem et nosse Eum profitemur, et tamen factis negantes, quodammodo violentas Ei manus videmur inferre ». 440 « Et etiam daemones non crucifixerunt Eum, sed tu cum ipsis crucifixisti Eum et adhuc crucifigis delectando in vitiis et peccatis ». 441 II. Mors redemptiva Christi in divino salutis consilio « Iesus definito consilio Dei traditus »